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Micro e Pequena Empresa e a Inovação - I

Recentemente estive trabalhando com um grupo de consultores na preparação de pessoas que vão ser contratadas para trabalharem como agentes de inovação junto a empresários de micro e pequenas empresas.


Esse trabalho tem um modelo indiano que ocorre por lá há algum tempo. Seu foco é a presença de alguém com formação específica que desenvolva planos, prazos e parcerias para que os empreendedores desenvolvam processos, produtos e marketing inovadores.

Um dos pesquisadores que praticamente iniciou esse papo todo sobre inovação foi Joseph Alois Schumpeter (1883-1950) que insere o empreendedorismona ótica da destruição criadora. Essa expressão representa a principal característica do sistema capitalista na percepção de Schumpeter. Ele definiu essa destruição como um processo orgânico de mutação industrial que incessantemente revoluciona a estrutura econômica a partir de dentro. Este processo de destruição é, segundo Schumpeter, a característica essencial do capitalismo e a ele se deve o encerramento de fábricas e a eliminação de postos de trabalho, mas também dele deriva a força dos empresários empreendedores em se adaptarem às mudanças tecnológicas e às preferências dos clientes, ou seja, ele encara o ambiente da empresa como inconstante e incerto e esses aspectos é que fariam, na opinião dele, a beleza do sistema capitalista como o único a representar na história algum processo de evolução e progresso.

Na visão de Schumpeter, o início de um processo de desenvolvimento econômico verifica-se na produção, em conseqüência de acontecimentos que alteram profundamente os velhos sistemas produtivos. Estas alterações, que Schumpeter designa de inovações, prendem-se com a introdução de um novo produto ou de uma nova qualidade de um produto, com a implantação de um novo método de produção, a abertura de um novo mercado, a conquista de uma nova fonte de oferta de matérias primas ou de produtos semi-acabados e, finalmente, o estabelecimento de uma nova forma de organização de uma dada indústria ou setor.

Schumpeter chama ato empreendedorà introdução de uma inovação no sistema econômico e empreendedor ao que executa este ato. A empresa e o empreendedor são fatos específicos do desenvolvimento, inexistentes por isso no estado estacionário, no qual a direção da produção implica apenas uma atividade de rotina que não se distingue de qualquer outro tipo de trabalho. “ O empreendedor constantemente pisa num solo que se esfarela aos seus pés”, disse ele se referindo à importância do empreendedores nesse processo de anti-rotina, anti-trabalho pelo trabalho.

Vamos pensar um pouco no Brasil. Segundo o Manual de Oslo da OECD – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – da Comunidade Européia, e que se tornou a referência nas diretrizes de coleta e interpretação de dados para inovação em todo o mundo, há alguns obstáculos para que as empresas se tornem inovadoras: problemas de competência, financiamento e apropriação. Coincidentemente todos estão presentes no cotidiano das MPE brasileiras.

A conhecida aversão pelo planejamento estratégico e financeiro de grande parte dos empreendedores brasileiros pode muito bem se encaixar na falta de competência para inovar. As políticas tributárias e trabalhistas inflexíveis e ultrapassadas podem não se encaixar de forma direta como problemas de financiamento, mas drenam um capital importante que as MPE poderiam aplicar em inovação.

Finalmente as práticas de desrespeito a patentes e falta de mecanismos para sistematização e registro de inovações em processos industriais e de serviços também marcam presença em nosso país. No próximo texto vamos falar das ondas de inovação de Schumpeter, das expectativas desses jovens que serão agentes de inovação e um pouco de Peter Drucker e seus conceitos sobre inovação que são simples e por isso mesmo geniais. Também vamos estender um pouco esse conceito de “apropriação” e leva-lo, não sei se corretamente ou não, a uma comparação com o conjunto de comportamentos empreendedores observáveis nas MPE brasileiras...dentro da minha e da sua empresa para ser mais exato.
Será que vale a pena ser otimista? Aguardem!




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